Por Dra Márcia Luiza Baptista
A doença inflamatória intestinal (DII) compreende a doença de Crohn (DC) e a retocolite ulcerativa (RCU) pode ser diagnosticada na infância e adolescência em 25% dos casos.
A causa mais provável envolve fatores genéticos e a desregulação da resposta imunológica à microbiota intestinal. Apresenta uma incidência crescente, em particular a DC, e pode ser diagnosticada na infância e adolescência em 25% dos casos.
Os sintomas da RCU são decorrentes da inflamação da porção final do intestino (reto), que pode acometer também todo o intestino grosso (pancolite), situação comum na população pediátrica. Em geral há diarréia com sangue e/ou muco, urgência para evacuar, anemia, e algumas vezes perda de peso.
Na DC pode haver inflamação de qualquer região do trato gastrointestinal. O maior destaque é a presença da dor abdominal associada a sinais de alarme como: febre, perda de peso, aftas na boca, lesões perianais (fístulas, fissuras e abscessos). Às vezes, a dor pode simular uma apendicite aguda.
Algumas complicações podem requerer cirurgia, como a forma fulminante da RCU, e estreitamentos ou fístulas intestinais na DC,
Apesar do seu nome, a DII não é limitada ao intestino e cerca de 30% dos pacientes poderão ter problema na pele, articulações, olhos, fígado e vias biliares.
O diagnóstico da DII pediátrica requer afastar causas infecciosas e imunodeficiências em crianças menores de 6 anos, e incluem todos os seguintes passos:
- história clínica,
- exame físico,
- testes laboratoriais,
- endoscopia digestiva alta e ileocolonoscopia com biópsias seriadas e,
- exame de imagem do intestino, quer por tomografia e/ou ressonância magnética.
Realizar o diagnóstico precoce é fundamental para se evitar um impacto adicional sobre o estado nutricional com prejuízo no peso, altura, e puberdade em crianças e adolescentes.
O tratamento é estabelecido de acordo com a forma de apresentação da DII: leve, moderada e grave, com medicamentos que visam o controle da inflamação intestinal.
O emprego de terapia nutricional enteral exclusiva tem mostrado eficácia na DC pediátrica para a fase de remissão dos sintomas.
Ressalta-se a importância de avaliar o estado vacinal e a necessidade de afastar tuberculose latente nos pacientes que precisarão de medicamentos imunossupressores, evitando complicações infecciosas na evolução.
Atualmente, com a descoberta de vários imunobiologicos, tem sido observado diminuição de complicações cirurgicas e, obtido perspectiva de cicatrização da mucosa intestinal.
Importante ressaltar ainda a necessidade de atenção as consequências da DII sobre o aspecto psicossocial da criança e do adolescente, pois é comum a ruptura escolar e atividades sociais, especialmente naqueles pacientes com a doença instável ou grave, sendo necessário a intervenção psicológica.
Dra Márcia Luiza Baptista é Gastropediatra do HNSG – Curitiba/PR.
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