Perfuração intestinal é um rompimento da parede do intestino grosso ou delgado, geralmente com extravasamento do conteúdo intestinal para dentro da cavidade abdominal. Trata-se de uma eventualidade rara, mas grave, ocorrendo apenas em 1% a 3% dos pacientes com doenças inflamatórias do intestino.
Havendo perfuração intestinal, o conteúdo do intestino pode extravasar para a cavidade abdominal, o que possibilita que bactérias do interior dos intestinos causem uma peritonite, abscessos ou até uma septicemia (infecção generalizada) e, eventualmente, a morte. Pode, ainda, causar complicações em outros órgãos e diminuição da absorção dos nutrientes. Mesmo se vazar apenas ar, o problema já pode ser muito sério.
Quais são as complicações possíveis da perfuração intestinal?
A infecção é sempre uma situação grave e a formação de peritonite, abscesso intra-abdominal e septicemia são as complicações principais da perfuração intestinal, e, eventualmente, a morte.
As complicações agudas da DC que levam o paciente à necessidade de tratamento cirúrgico são: abscessos abdominais, abscessos anais, oclusão intestinal, perfurações livres na cavidade com peritonite, megacólon tóxico e hemorragia.
A perfuração intestinal na DC localiza-se, em 90% dos casos, no íleo e na face antimesentérica. Seu mecanismo parece ser por infarto, seguindo a obstrução e talvez o uso de corticoide.
A mortalidade pode atingir 10,8%. Essas complicações agudas podem representar a primeira manifestação da DC, antes mesmo de seu diagnóstico de certeza.
Porque acontece a perfuração intestinal?
Existem vários motivos: a presença de espessamento da parede intestinal, áreas de estenoses, fístulas, úlceras profundas e hipertrofia (aumento) do tecido mesenterial, além de outras.
Como é o tratamento da perfuração intestinal?
Essa resposta é muito ampla, porque vai depender do caso de cada pessoa, mas normalmente há necessidade de cirurgia para fazer ressecção da parte perfurada, ou seja, retirar a parte do intestino que foi perfurada. Mas tudo vai depender da gravidade da perfuração, da gravidade da doença, do estado do pacientes. E até mesmo os casos cirúrgicos são diferentes: algumas pessoas terão que fazer cirurgia em caráter emergencial e outras poderão planejar com um pouco mais de calma.
Entre as técnicas cirúrgicas disponíveis será escolhida a melhor técnica para o paciente no momento do ato cirúrgico. A DC representa grande sofrimento por anos, com restrições pessoais e sociais, em que as manifestações digestivas tornam a vida restrita ao ambiente familiar.
A evolução para formas variadas de abdômen agudo a tornam de vigilância constante e risco de necessidade de cirurgia de urgência.
Há diferenças na perfuração intestinal na doença de Crohn e na Retocolite Ulcerativa.
Perfuração intestinal na Doença de Crohn:
O mecanismo da perfuração livre para peritônio em doença de Cron ainda não é totalmente conhecido. Pode ser devido à distensão abdominal causada por uma estenose, mas também acontece sem haver essa dilatação∕distensão. A presença da inflamação dos vasos sanguíneos pode levar a uma alteração isquêmica que resultará na perfuração também.
Na doença de Crohn a perfuração intestinal pode ocorrer em qualquer parte do trato gastrointestinal. Perfurações no cólon pode ser por causa a colite e megacólon tóxico e também pela própria exacerbação da doença devido às estenoses e fístulas.
Outras causas são: câncer colorretal perfurado, após colonoscopia, após o exame de cápsula endoscópica, após o exame de colonografia por tomografia computadorizada e após colocação de prótese em estenoses no cólon.
Na doença de Crohn a perfuração pode ser localizada e bloqueada por estruturas e órgãos vizinhos, formando até mesmo fístulas e verdadeiros tumores inflamatórios
Perfuração intestinal na Retocolite Ulcerativa:
Nesses pacientes a perfuração ocorre em cerca de 2% dos casos e quase sempre está associado ao megacólon tóxico e também à colite tóxica, mas é muito mais comum no primeiro caso.
Também pode ocorrer por perfuração após colonoscopia e por câncer colorretal (associado à retocolite), mas nesse caso só quando o paciente para de tratar e acompanhar com o médico mesmo.
Os pacientes tem que ficar de olho em sintomas como distensão e dor abdominal e dor reflexa no ombro associada à febre e taquicardia. O diagnóstico da perfuração nos pacientes com retocolite ulcerativa pode ser tardio pois algumas medicações podem mascarar os sintomas.
Referências:
- Edição v. 4 n. 2 (2017): Revista de Patologia do Tocantins
- Revista HUPE – TRATAMENTO CIRÚRGICO NA DOENÇA DE CROHN – André da Luz Moreira
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